Resposta da SBM à polêmica do câncer de mama em mulheres jovens

Carlos A. Ruiz

Sociedade Brasileira de Mastologia alerta: aumento do câncer de mama em jovens é mito e provoca alarmismo

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), entidade que reúne os mais conceituados especialistas em saúde mamária do país, contesta notícia divulgada esta semana, segundo a qual o câncer de mama aumentou entre mulheres jovens. A SBM, por meio de seu presidente, Dr. Carlos Ruiz, ressalta que ‘o câncer de mama aumentou significativamente em nosso País em todas as faixas etárias e não apenas entre as jovens’.  A preocupação da SBM é a de que a notícia gere pânico embora seja destituída de análise científica. A SBM cita um estudo publicado em setembro de 2010 na revista ‘Breast Cancer Research and Treatment’, trazendo uma extensa e rigorosa revisão sobre o tema ‘Epidemiologia do Câncer de Mama em Jovens’. O estudo ressalta que: Não tem havido um aumento na ocorrência de câncer de mama em mulheres jovens, ou seja, aquelas com menos de 45 anos.

O estudo publicado na ‘Breast Cancer Research and Treatment’ revela que tem havido sim um aumento no número total dos casos de câncer MAS ENTRE MULHERES PÓS-MENOPAUSADAS E IDOSAS. Já a proporção de mulheres jovens com a doença tem se mantido estável na maioria dos países, com sinais de queda nos Estados Unidos e Reino Unido. O trabalho relaciona os fatores conhecidos que aumentam o risco para câncer de mama – obesidade, depressão, sedentarismo, ingestão excessiva de alccol, nuliparidade, gestação tardia e terapia de reposição hormonal combinada na menopausa. Todos esses fatores se relacionam a elevação no risco para aparecimento de câncer em pacientes acima de 45 anos e idosas. As pacientes jovens têm como principais fatores de risco as mutações genéticas. ‘O risco do câncer de mama decorrer de mutação genética gira em torno de 10%. A doença acomete jovens, proporcionalmente a todos os casos diagnosticados nas diversas faixas etárias, em 15% a 18% dos casos’, diz Dr. Marcos Desidério Ricci.

O site governamental britânico (www.breastcancercare.org.uk), assinala que a divulgação do aumento da incidência do câncer de mama na mulher jovem é um mito, assim como as afirmações sobre o aumento da incidência associada ao uso de desodorante, trauma da mama, mastalgia e stress. No Brasil, o INCA (Instituto Nacional do Câncer), responsável pela estatística de incidência e mortalidade por câncer, não tem informação disponível sobre a faixa etária que a população é acometida pelos diversos tipos de câncer, não sendo possível definir uma relação de causa-efeito. “Estamos diante de um jogo de informações inapropriadas, que confundem a população, gerando pânico e preocupação”, diz o Dr. Marcos Desidério Ricci.

Números – O mastologista da SBM Dr. Marcos Desidério Ricci fez um levantamento baseado em dados dos Registros Hospitalares da Fundação Oncocentro da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo no período de 2000 a 2008. Este registro inclui dados enviados por 76 hospitais do Estado de São Paulo, incluindo o Hospital do Câncer de São Paulo (Fundação Antonio Prudente), IBCC, Hospital das Clínicas de São Paulo e Ribeirão Preto, CAISM da Unicamp, Hospital de Barretos, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) dentre outros. Foram analisadas 48.187 pacientes, talvez a maior casuística nacional. Os dados baseados no registro hospitalar de câncer de mama do Estado de SP, centralizados e divulgados pela Fundação Oncocentro, demonstram que nos últimos 10 anos não houve aumento na proporção do número de casos de câncer na pacientes jovens (10 – 44 anos) em relação ao registro total de casos registrados. Tem havido uma tendência de queda no registro de casos de casos nas pacientes jovens (10 – 44 anos), como também tem sido registrado em países como Estados Unidos, Reino Unido e Canada. Exceto a Austrália, Portugal e Espanha que registraram um aumento nesta faixa etária, e nos demais países cuja taxa se manteve estável, sem queda ou elevação.Em 2000 e 2001, a proporção de casos registrados no Estado de São Paulo nas pacientes jovens, em relação à totalidade dos casos foi de 23.9% e 22.8%, respectivamente, enquanto que nos anos de 2008 e 2009 foram 19.8% e 18.9%, respectivamente. Entre os anos de 2000 e 2008 houve um aumento de 27.5% dos casos registrados de câncer de mama. Na faixa etária de 10 a 44 anos, pacientes jovens, o aumento no período foi de 11.6%, inferior ao aumento observado na faixa etária das pacientes no período da menopausa, entre 45 a 59 anos, cujo incremento no número de casos de câncer de mama foi de 41.7%, e das pacientes idosas, com idade entre 60 e mais de 75 anos, com elevação de 42.0% dos casos de câncer de mama.

A doença – O câncer de mama tem se mostrado de difícil controle, especialmente no Sul e no Sudeste, onde ocupa a primeira causa de morte por câncer em mulheres. As razões desse aumento se devem à presença de múltiplos fatores de risco, ligados ao desenvolvimento. Por outro lado, a mortalidade cresce por falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado. O Brasil se coloca no nível intermediário de incidência, que pode ser medida de diferentes formas. Uma delas é o risco durante a vida, que nos Estados Unidos chega a ser de 1 para 9, nos países de baixo risco de 1 para 25 e no Brasil de 1 para 15, ou seja 1 em cada 15 mulheres que nascem hoje no Brasil deverá ter câncer de mama, se viver até os 70 anos.O câncer de mama configura um problema de saúde pública, pois tem alta incidência, prevalência, mortalidade e é passível de ações para seu controle. “Apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos não se tem verificado no Brasil qualquer diminuição na mortalidade pela doença nos últimos 40 anos. Seu prognóstico depende, principalmente, do momento da detecção. Daí a importância de se conseguir um diagnóstico precoce, numa fase onde os tratamentos são mais eficazes, menos agressivos e oferecem melhores possibilidades de cura e preservação mamária”, explica o presidente da SBM, Dr. Carlos Ruiz.

Segundo Dr.Ruiz, após a detecção precoce, o tratamento rápido faz a diferença. “Não podemos depender de entidades filantrópicas, beneficências ou ações pontuais para o enfrentamento da doença, bem como não podemos mais nos enganar com ações que não incluam a mamografia como método de rastreamento. Só ela, num programa organizado, poderá diminuir, como aconteceu em vários países, em 30% a mortalidade por câncer de mama”, diz Dr. Ruiz.  O Brasil precisa oferecer às mulheres um programa de controle de câncer de mama que promova rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos, diagnóstico rápido dos casos detectados e tratamento eficiente. “Não podemos admitir que sejam privadas desse direito as mulheres entre 40 e 50 anos. Cerca de 15% dos tumores de mama são diagnosticados nessa faixa etária”, diz o presidente da SBM. Para ele, é necessário criar um modelo multi-institucional de atenção verticalizada para atendimento da população em relação ao câncer mamário, no qual um caso alterado possa ser diagnosticado, tratado e seguido com eficiência e rapidez.

A SBM está desenvolvendo um protocolo multicêntrico para avaliar estes dados em nível Brasil.


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s